sexta-feira, 8 de junho de 2012

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Grief, Love and Hope


Someone I know lost his best friend last week.
It has been said that "Life sucks and then you die". In fact, I think - life is amazing and it sucks when you die - makes much more sense.
Being there, watching him refusing to believe on the possible tragedy and then finally receiving the confirmation; it killed me inside. I could not help the selfish thoughts. If I would lose one of my friends, how could I ever move pass their loss?
The weekend was running, and I wanted to say something that would make him feel... less pain. I wanted, but I couldn't. This kind of pain cannot be stopped with words. It can only be slightly bearable with a hug and smoothed with time.
Today I saw him again. I don't remember the last time I saw so much pain and grief and sadness. He seemed ages older. Expression riddles increased significantly around his eyes surrounded by dark purple circles, reflex of too much suffering, too much tears, to much helplessness.
Never before I felt so powerless over someone's pain. Never before I missed the right words to say. My heart was truly hurting, I could feel every inch of his sadness, so deep, so unbearable and so desperate. I wanted to take this boy in my arms, hug him and promise in vain that everything would be better somehow. I still cannot find the words to tell him how sad I feel when I look him in the eye.
Losing a friend, mainly when we know his time was not supposed to come so soon, is not only the saddest sorrow but also the most difficult to accept.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Das resoluções de 2012



No início do ano andei por aqui a mandar vir sobre as minhas resoluções para 2012. Uma delas era aprender a tocar guitarra.
Pois bem... hoje tive a primeira aula. E gostei mesmo muito. O professor é muito experiente, paciente e simples. E eu tenho boas expectativas para estas aulas.
Por agora, praticar muito com a minha guitarra nova que, como dá para ver ali em cima, é mesmo, mesmo linda!

terça-feira, 20 de março de 2012

One of those moments...

 


Já tinha ouvido histórias destas, ou lido na web. Mas vivê-las de perto...
Hoje quando vinha a caminho de casa já a noite tinha caído, e ao chegar à minha rua reparei em alguma coisa no meio da estrada. Era um gato, sentado exactamente no meio da estrada. Parei o carro, mandei-lhe com os máximos uma e outra vez, apitei, abri o vidro e tentei de tudo para que o gato se mexesse... Nada. Continuava sentado, de costas para mim, imóvel. Por fim, e porque não podia ficar ali parada logo a seguir a uma curva, lá galguei o relvado junto à estreita estrada e contornei o gato. Foi então que vi: a frente deste gato estava outro, estendido no chão.
Estacionei o carro, e de nó na garganta e mãos a tremer, liguei ao Roger para vir cá fora e fui ver o que se passava. Quem me conhece sabe: poucas coisas me deixam tão triste como presenciar o sofrimento de um animal, mas nunca seria capaz de o ignorar, sem saber se poderia de alguma forma ajudar. E este estava vivo, mas a julgar pelos gemidos angustiantes, não duraria muito. Aproximei-me a medo e percebi que o gato não tinha sido atropelado. Estava a ter uma espécie de ataque. Não tinha sido atropelado, mas se continuasse ali iria ser. Foi então que tudo parou, o gato levantou-se e, ainda meio manco, foi refugiar-se no jardim da casa mais próxima e quando o Roger chegou já não o encontrámos. O outro gato, e isto é verdadeiramente admirável, não arredou pé do meio da estrada enquanto o primeiro estava em sofrimento e não podia fugir dos carros. Ficou ali sentado, imóvel, solidário e protector. Obrigou-me a desviar-me do meu caminho e a evitar o atropelamento do gato doente, que de outra forma eu nunca teria visto, porque estava deitado na estrada.
Acabado o pânico, o gato-herói olhou em volta, viu que tudo estava bem e só então seguiu rua abaixo, ignorando por completo a grandiosidade do que acabara de fazer.
Ao chegar à minha porta, encontrei os dois gatos dos meus vizinhos que adoram mimos e normalmente não me largam da perna quando chego a casa. Não me ligaram nenhuma, a atenção deles estava ainda focada no que se tinha passado na estrada.
Há coisas fantásticas, não há?

domingo, 11 de março de 2012

And yesterday


was a playoff day.
A convite da minha querida Helen (sim, a professora do post abaixo), fui ver a final da liga B de hockey no gelo. O namorado dela é jogador da equipa de Wettingen.
Primeira constatação: hockey no gelo é um desporto violento e rápido, que nos exercita mais o pescoço que uma aula de yoga.
Segunda constatação: I kinda like it.
O jogo era para os lados de Berna, por isso depois de almoço lá nos fizemos à estrada, para pouco mais de uma hora de tagarelice e muitas gargalhadas.
Depois de nos perdermos umas quantas vezes, lá chegámos ao ringue. Boas notícias: o nosso adversário era a equipa da casa. E para apoiar a nossa equipa, não éramos mais que meia dúzia. Altamente! Estes suíços são uns bebés. Em vez de cornetas, têm sinos; em vez de insultar, cantam; em vez de bradar gritos de guerra, batem palmas. Exacto. Tive de dar umas luzes àquela malta sobre o verdadeiro espírito do chearleading. E modéstia à parte, tivemos tanto sucesso que a nossa equipa até ganhou.
Acabado o jogo, começaram as celebrações dos campeões com muita cerveja à mistura. E esta foi a deixa para as ladies se retirarem e irem jantar.
Quando mais tarde voltámos a encontrar os jogadores na noite, já eles falavam línguas (ainda mais) estranhas e dançavam em coreografias combinadas que faziam lembrar uma concentração de frangos-de-churrasco bailarinos.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Learn German and you'll win a friend




Not so obvious as it seems. Este texto vai ser sobre a minha professora de Alemão, que é única pessoa com quem realmente me identifiquei desde que cheguei a esta Suíça gelada. Poupando-me a ilusões, é um facto que a maioria das pessoas aqui é distante, fria, muito nacionalista e e pouco acolhedora. Os estrangeiros não são o fruto preferido desta malta, e depois dos primeiros meses deixamos de ser o "shiny new toy" e passamos a ser o estrangeiro que veio para aqui roubar o emprego de um qualquer suíço muito mais capaz. Protegem o que é deles, e fazem muito bem. Mas não nos recebem de braços abertos, e quando, como eu, se vem para ficar, as coisas podem-se complicar um bocadinho. As pessoas com quem me relaciono informalmente são todas estrangeiras. Alemães, Italianos, Portugueses, Espanhóis, Indianos. Os estrangeiros não têm outra opção que não socializar entre si. Quem me conhece bem, sabe que sou muito sociável e não tenho dificuldades em meter conversa com quem me vai aparecendo, mas demoro a fazer amigos e não tenho assim tantos quanto isso. Num país como este, fazer amizades entre os locais é um caso perdido. Não, não quero generalizar e acredito que haja bastantes excepções. Mas é difícil. Pelo menos para mim, está a ser. Sou uma pessoa mimada pelos meus amigos e pela família, e a falta desse mimo não é fácil de suportar nem me torna numa pessoa melhor.
Mas adiante, que como eu disse antes, este texto é sobre a minha professora de Alemão.
Na primeira aula, gostei imediatamente dela e daquele ar energético e genuinamente feliz, de quem está de bem com a vida. Tem a profissão que eu mais gostaria de ter nesta vida: Dá aulas de Alemão a crianças refugiadas / com dificuldades de inserção social, em processo de integração na Suíça. E fá-lo com o maior amor do mundo, quase como se aquelas crianças lhe pertencessem. É alemã e namora com um suíço, que é, segundo ela, a excepcção à regra. Mas o mais interessante é mesmo a quantidade de coisas que temos em comum, principalmente no que se refere a traços de personalidade: Falamos primeiro, pensamos depois. Adoramos fazer as outras pessoas rir, dizemos disparates a toda a hora. Somos teimosas, marronas, dificilmente admitimos não ter razão. Explodimos com facilidade e demoramos a pedir desculpas. Pomos tudo de nós no muito que fazemos e entramos com tudo, sem pensar de antemão. Odiamos arrogância, falsas modéstias e duplas faces. Adoramos comer e dançar. Frequentemente, não sabemos bem o que queremos, quando queremos. E reagimos da mesma forma às mais variadas situações.
Ao longo de 3 meses de aulas one to one (só eu e ela) fui descobrindo um pouco de mim nela e fui criando a expectativa de uma amizade, já que as aulas de alemão são dos momentos mais descontraídos e divertidos da minha semana e me fazem realmente bem. Se lá chego de mau humor, desfeita em farrapos depois de mais um dia bombástico no escritório, saio bem-disposta e relaxada, com sentimento de dever cumprido e muito mais animada do que quando entrei. Num mix anglo-germânico, falamos sobre tudo e mais alguma coisa e nunca nos calamos, e o melhor de tudo, é que ela entende perfeitamente os meus dilemas, as minhas piadas e as minhas opiniões e não julga, diga eu o que disser, e vice-versa. Isto é o mais próximo de uma saída recorrente de amigas que por aqui encontro. Fazem-me falta estes girl moments, e as girls nights com as minhas queridas portuguesas da área ainda não são tão frequentes quanto gostaria.
Hoje ela sugeriu que fizéssemos qualquer coisa fora das aulas, um cafésinho, levar os namorados a sair, qualquer coisa... E eu fiquei muito feliz. Porque nem todo o dinheiro do mundo paga a ausência de amigos. E quem não os tem, não tem nada.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012




Desde que vi o filme Chocolate pela primeira vez que não mais me saiu da cabeça esta história do vento Norte – o vento de mudança. Depois li o livro, e vi o filme mais uma ou outra vez. Foi um facto que me senti imediatamente confortável com a inquietude da personagem principal, para mim, aquele sentimento é um lugar comum. Desde miúda. Nunca estava bem em lugar nenhum, fartava-me do que quer que fosse ao fim de pouco tempo.

Depois cresci, mas foi sempre igual, de todas as vezes. Chego a um novo lugar e passado o entusiasmo inicial, a minha motivação começa a decrescer e eu tento em vão convencer-me que é uma fase, que estou a ser exigente demais, que desta vez é que é. Mas depois começo a duvidar daquilo que antes eram as mais absolutas certezas e começa a entristecer-me ter que regressar a cada dia que passa... Afundo-me mais e mais na ausencia de “avançar” que se instala na minha vida. E é então que, quase visualizando a brisa que rodeava Vianne tantas vezes ao longo da vida, eu o sinto chegar. E aí é o limite. Percebo que não consigo ficar mais aqui, mesmo que quisesse. E a busca pela mudança recomeça. Aqui vou eu, de novo, à procura do meu lugar.