Quem pensa que trabalhar com suíços é fácil, está redondamente enganado. Principalmente quando a pessoa em questão inclui uma mistura manhosa de suíço com grego e hipocondríaco. Caríssimos, apresento-vos a minha adorada coleguinha de trabalho. A única pessoa, além da chefe e de mim, a trabalhar na minha equipa. A única pessoa com quem realmente tenho de partilhar o dia-a-dia, as tarefas e os stresses, e é isto: uma maria-das-dores de ego recalcado por não mandar nesta merda toda, e cada vez mais fula por uma miúda vinda do fim do mundo (um pouco arrogante julgar assim Portugal quando se veio de um país como a Grécia há meia dúzia de anos...) lhe estar já a ganhar aos pontos. A coitadinha sofre de asmas, reumatismos, renites, estomatites, gripes e enjoos crónicos e suspeito que também de algumas limitações mentais. E não, não tem mais de 30 anos. E sim, ela é doente mas é da cabecinha!
Se há pessoas com sorte nestas coisas, uma delas sou eu.
Então na semana passada, a coleguinha resolveu transmitir uma informação errada a um cliente que nos fez perder dinheiro. Como qualquer pessoa com dois dedos de responsabilidade faria, chamei-a a atenção de que a informação que estava a transmitir não era correcta e que o melhor seria recontactar o cliente (a chefe está de férias se não elas mordíam-lhe be pior!). Sua excelência do reumático ficou tão ofendida por ser corrigida aqui pela miúda que me descancou com expressões do género "Não metas o teu nariz nas minhas coisas!".
Eu eu cá para os meus botões pensei tu és parva todos os dias, deixa-te andar que quando a parvoíce te cair toda em cima, não vai haver quem escave um buraco para te tirar de lá... E deitei mãos ao meu trabalho que era mais que muito e não havia tempo a perder com detalhes.
Mas de cada vez que tenho de me ausentar do escritório (para férias ou saídas em trabalho) e deixo uma lista das minhas tarefas mais urgentes que precisam ser feitas, sua senhoria da agonia nem lhes toca, e quando cá chego cai-me sempre uma avalanche de reclamações por prazos não cumpridos. E eu como estou farta que me ponham a pata em cima (ou tentem) decidi que ia começar a pagar na mesma moeda. E assim foi: A madame dói-me-tudo decidiu que trabalhar a semana toda era demasiado pesado para uma pessoa com tantos afazeres (solteira, sem filhos e sem nada que a ocupe, mas com tantas idas ao médico, não sobra mesmo tempo nenhum) e por isso toca de reduzir a carga horária para 80%, e agora não trabalha às Segundas. Então na Sexta que passou antes de sair, toca de me atulhar com tarefas "urgentes que teriam todas que ser feitas na Segunda", e como ela não estava cá, eu tinha mesmo que as fazer... Por entre outras coisas chatas, estava uma factura de imensas páginas para aí com uns 500 items para verificar um a um, que me ia fazer perder um dia naquilo e era uma seca descomunal. O tanas! Ficou tudo por fazer, tal como a coleguinha adorada me ensinou, assim meio que rematado com um ups... não tive tempo. Mas a gaja deve pensar que sou alguma otária que para aqui anda, porque hoje, quarta-feira, retornou-me com a malograda factura (que já era urgente na sexta que passou): Eu tenho muitas coisas para fazer, por isso faz isto sff.
Levou com um não redondo e ainda ficou extremamente chocada com a minha justificação já treinada vezes sem conta, pronta para ser disparada numa situação como esta.
Olha querida, eu sei que não te apetece mesmo nada fazer isto porque dá imenso trabalho e é tremendamente chato, mas infelizmente eu tenho mais que fazer e além disso... não meto o meu nariz nas tuas coisas! Toma que já almoçaste. Atirei-lhe com um olhar de se te metes comigo arraco-te os olhos ouviste bem? E acho que ela ficou a perceber a cena. (Só tive pena de ter sido obrigada a falar-lhe em Inglês, caso contrário ainda tinha levado com umas amistosas expressões em bom Português).
Subentendida ficou a ideia de que aqui a miúda gosta pouco que a pisem, por isso põe-te a pau que lá na minha terra comemos marias-das-dores como tu ao pequeno almoço!
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
Novidades ou talvez não
Pá... Há meses que não ponho os pés (ou as mãos...) aqui no blog, isto até já tem teias de aranha!
É verdade que o tempo não é muito e as novidades também não.
Por aqui continua-se a trabalhar imenso, com uma boa novidade (que muitos já sabem): O Roger arranjou finalmente trabalho, como project leader na CCI Valves Switzerland. E pronto há mais de um mês que para lá anda e está muito feliz! E eu também :)
A trabalhar que nem uma doida andei também eu nos últimos meses, mas agora em Agosto, com a malta toda em férias, e Ramadão, e casamentos e afins... a coisa está um pouco paradita, pelo que há tempo para umas curtas visitas ao mundo da web.
Por falar em férias, também nós tivemos direito a duas semaninhas em Portugal, e quase posso dizer que regressei pior do que fui. Para além de não ter tido tempo (nem vontade) para noitadas e jantaradas, passei mais tempo no hospital do que na praia, recebi más notícias, e nem sequer consegui abraçar todos aqueles que queria. E aqui tenho mesmo que pedir desculpa os meus queridos amigos e familiares mais chegados, que não receberam a atenção merecida (ou nenhuma), mas eu realmente não consegui conjugar nem o tempo, nem a minha disposição para nada.
Regressada ao país do tempo ruim, resta-me concentrar as energias no trabalho e esquecer cada vez que o telefone toca, o facto de que poderei ter de voltar a Portugal em breve, por razões menos agradáveis.
O lado positivo de voltar à Suiça pode ser descrito em qualquer coisa como um 'regressar à civilização', sim porque eu bem gosto e me desgrenho pelo meu país, mas é um facto que Portugal está uma selva. A frustração e infelicidade do povo está espelhada na cara de cada pessoa que encontramos na rua e já ninguém é indiferente à crise, como há uns tempos atrás. A raiva e a impotência são transparentes no condutor impaciente da fila de trânsito, na funcionária entediada do balcão dos serviços, no empregado de mesa que só está ali para sustentar a família. E em todos os outros que por lá andam, sem emprego e sem uma saída à vista. Não posso evitar ficar triste, porque Portugal há-de ser sempre o meu lugar preferido no mundo. Mas também não me posso esquecer que para poder ter uma vida, tive que vir embora.
Bem, isto hoje está a ficar mesmo deprimente, quem me manda vir para aqui escrever com esta melancolia de sexta-feira-pós-férias?
Vou ver se mais logo ponho aqui umas fotos lá de casa.
Um grande xi <3 a todos, em especial àqueles especiais :)
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Flash weekend: Berlin
Tal como planeado, já que a nossa Páscoa, não foi mesmo Páscoa, como tínhamos quatro dias livres e como estávamos para aqui sozinhos, decidimos viajar.
Aproveitando a vantagem de estarmos praticamente no centro da Europa, os destinos que apareciam no nosso horizonte eram vários. Acontece que tomámos a decisão de viajar na Quinta-feira à hora do almoço, e a ideia era partir nessa mesma noite, por isso restava pouco tempo para encontrar um hotel, e não fosse este o fim-de-semana prolongado da Páscoa, e a tarefa teria sido mais fácil.
Acabámos por encontrar um em Berlim, e lá fomos nós.
Confesso que gostei tanto da cidade que decidi fazer aqui um pequeno guia para os amiguinhos que lá quiserem passar um fim-de-semana. Se levarem convosco a informação certa, conseguem visitar toda a cidade, com todo o conforto e de forma bem económica. Então aqui fica:
1. Onde dormir:
Normalmente quando viajo em lazer costumo tentar sempre ficar num hotel do grupo Accor, preferentemente um Ibis. Como a maioria sabe, são por hábito baratos e têm mais ou menos os mesmos standards de conforto em qualquer país da Europa - o que quer dizer que sabemos sempre o que vamos encontrar. Na generalidade o nível de conforto e o serviço são bastante bons. Desta vez já não conseguimos encontrar nenhum Ibis, por isso ficámos num Etap - e com estes já não é a mesma história. Há Etaps melhores que Ibis mas também há espeluncas onde nunca mais me apanham. Tivemos de correr o risco, mas felizmente tivemos imensa sorte. Ficámos no ETAP HOTEL Berlin Ost Marzahn, que fica numa zona sossegada, mas com uma estação de comboios de ligação directa ao centro em 10 minutos, a passar de 5 em 5. O hotel é um tanto antigo, mas razoável - mais do que suficiente para quem só lá vai tomar banho e dormir. Tem wifi no quarto e estacionamento gratuitos. Aconselho vivamente.
2. Deslocações:
Nós fomos de carro, por isso não posso dar instruções na primeira pessoa sobre as deslocações aeroporto - cidade. No entanto sei que existe uma linha de comboio dedicada a este percurso.
Quanto aos transportes públicos, em Berlim existe uma coisa fantástica que se chama Welcome Card. O bilhete para 72h (3 dias) custou-nos 22.90 eur / pessoa, e para além de inúmeros descontos para tudo quanto é ponto turístico (e não são coisas do tipo 50 cent num bilhete de 30 eur, são descontos à séria!), este "cartão" oferece-nos transportes entre as zonas A e B (as únicas que interessam) de borla. Autocarro, comboio, metro, tram... tudo sem a preocupação de comprar bilhetes, validar bilhetes, mostrar bilhetes, e por aí em diante. Assim, só é necessário validar este passe na primeira viagem de transporte público e a partir daí, basta andarem com ele (e com o guia que o acompanha) na carteira. É fácil e é barato, só não dá é milhões, mas não se pode ter tudo!
3. Onde comer:
Se o vosso orçamento for tão curto como o meu, Berlim é a cidade perfeita. Os melhores lugares para comer são junto às estações de comboios. Há óptimos restaurantes de todo o tipo (desde tradicionais, passando por asiáticos, italianos, franceses, indianos até àqueles que não percebemos bem). E melhor que a comida, só mesmo o preço. Come-se muito bem por cerca de 5 eur/pessoa.
4. O que visitar:
Fácil! Está tudo no guia que vem com o Welcom Card, incluindo respectivas paragens dos transportes públicos, e mapas de tudo e mais alguma coisa. A única coisa adicional que é importante terem convosco é um mapa das ruas em si, porque os principais lugares turísticos não são muito fáceis de encontrar sem ajuda. O guia também apresenta os preços e o valor de desconto que oferece para cada lugar (normalmente cerca de 5 eur), o que facilita o planeamento da visita.
Nós decidimos apanhar boleia num daqueles autocarros turísticos descapotáveis (mais precisamente este) e ficámos orgulhosos da nossa escolha! Assim conseguimos passar pela maioria dos pontos turísticos da cidade e decidir quais gostaríamos de ver em pormenor. Além disto, este autocarro funciona em sistema hop on and off, o que significa que podemos sair em qualquer paragem, e entrar no próximo (de 10 em 10 min).
Decidi que, para evitar que outras pessoas desperdicem algum do seu tempo como eu fiz, deixo apenas uma nota sobre os pontos que NÃO vale a pena visitar: Berliner DDR Motorrad Museum e Jewish Museum, foram ambos uma grande desilusão porque não há praticamente nada para ver. É claro que Berlim é uma cidade grande mas três a quatro dias são o suficiente para ficar a conhecê-la. Não percam o museu Anne Frank, uma pequena maravilha escondida num prédio quase em ruínas, que foi sem dúvida o ponto alto e mais emocional da minha viagem.
5. Nota geral:
Berlim é a capital de que mais gostei até agora. A carga histórica e emocional respira-se por todas as ruas e o contraste cultural "do antes e do depois da queda do muro" observa-se em todas as esquinas. É uma cidade multicultural e onde a liberdade ganhou outro significado e é gritada por todos os edifícios, atitudes e indivíduos. É claro que tudo isto tem muito a ver comigo, com o meu gosto pessoal e com a minha forma sentimental de estar na vida. Mas seja como for, acho impossível que alguém fique indiferente a esta cidade depois de a visitar, porque vale mesmo a pena.
Só para terminar, deixo algumas fotos da aventura dos pinóquios na Alemanha.
Beijinhos e abracinhos!
Aproveitando a vantagem de estarmos praticamente no centro da Europa, os destinos que apareciam no nosso horizonte eram vários. Acontece que tomámos a decisão de viajar na Quinta-feira à hora do almoço, e a ideia era partir nessa mesma noite, por isso restava pouco tempo para encontrar um hotel, e não fosse este o fim-de-semana prolongado da Páscoa, e a tarefa teria sido mais fácil.
Acabámos por encontrar um em Berlim, e lá fomos nós.
Confesso que gostei tanto da cidade que decidi fazer aqui um pequeno guia para os amiguinhos que lá quiserem passar um fim-de-semana. Se levarem convosco a informação certa, conseguem visitar toda a cidade, com todo o conforto e de forma bem económica. Então aqui fica:
1. Onde dormir:
Normalmente quando viajo em lazer costumo tentar sempre ficar num hotel do grupo Accor, preferentemente um Ibis. Como a maioria sabe, são por hábito baratos e têm mais ou menos os mesmos standards de conforto em qualquer país da Europa - o que quer dizer que sabemos sempre o que vamos encontrar. Na generalidade o nível de conforto e o serviço são bastante bons. Desta vez já não conseguimos encontrar nenhum Ibis, por isso ficámos num Etap - e com estes já não é a mesma história. Há Etaps melhores que Ibis mas também há espeluncas onde nunca mais me apanham. Tivemos de correr o risco, mas felizmente tivemos imensa sorte. Ficámos no ETAP HOTEL Berlin Ost Marzahn, que fica numa zona sossegada, mas com uma estação de comboios de ligação directa ao centro em 10 minutos, a passar de 5 em 5. O hotel é um tanto antigo, mas razoável - mais do que suficiente para quem só lá vai tomar banho e dormir. Tem wifi no quarto e estacionamento gratuitos. Aconselho vivamente.
2. Deslocações:
Nós fomos de carro, por isso não posso dar instruções na primeira pessoa sobre as deslocações aeroporto - cidade. No entanto sei que existe uma linha de comboio dedicada a este percurso.
Quanto aos transportes públicos, em Berlim existe uma coisa fantástica que se chama Welcome Card. O bilhete para 72h (3 dias) custou-nos 22.90 eur / pessoa, e para além de inúmeros descontos para tudo quanto é ponto turístico (e não são coisas do tipo 50 cent num bilhete de 30 eur, são descontos à séria!), este "cartão" oferece-nos transportes entre as zonas A e B (as únicas que interessam) de borla. Autocarro, comboio, metro, tram... tudo sem a preocupação de comprar bilhetes, validar bilhetes, mostrar bilhetes, e por aí em diante. Assim, só é necessário validar este passe na primeira viagem de transporte público e a partir daí, basta andarem com ele (e com o guia que o acompanha) na carteira. É fácil e é barato, só não dá é milhões, mas não se pode ter tudo!
3. Onde comer:
Se o vosso orçamento for tão curto como o meu, Berlim é a cidade perfeita. Os melhores lugares para comer são junto às estações de comboios. Há óptimos restaurantes de todo o tipo (desde tradicionais, passando por asiáticos, italianos, franceses, indianos até àqueles que não percebemos bem). E melhor que a comida, só mesmo o preço. Come-se muito bem por cerca de 5 eur/pessoa.
4. O que visitar:
Fácil! Está tudo no guia que vem com o Welcom Card, incluindo respectivas paragens dos transportes públicos, e mapas de tudo e mais alguma coisa. A única coisa adicional que é importante terem convosco é um mapa das ruas em si, porque os principais lugares turísticos não são muito fáceis de encontrar sem ajuda. O guia também apresenta os preços e o valor de desconto que oferece para cada lugar (normalmente cerca de 5 eur), o que facilita o planeamento da visita.
Nós decidimos apanhar boleia num daqueles autocarros turísticos descapotáveis (mais precisamente este) e ficámos orgulhosos da nossa escolha! Assim conseguimos passar pela maioria dos pontos turísticos da cidade e decidir quais gostaríamos de ver em pormenor. Além disto, este autocarro funciona em sistema hop on and off, o que significa que podemos sair em qualquer paragem, e entrar no próximo (de 10 em 10 min).
Decidi que, para evitar que outras pessoas desperdicem algum do seu tempo como eu fiz, deixo apenas uma nota sobre os pontos que NÃO vale a pena visitar: Berliner DDR Motorrad Museum e Jewish Museum, foram ambos uma grande desilusão porque não há praticamente nada para ver. É claro que Berlim é uma cidade grande mas três a quatro dias são o suficiente para ficar a conhecê-la. Não percam o museu Anne Frank, uma pequena maravilha escondida num prédio quase em ruínas, que foi sem dúvida o ponto alto e mais emocional da minha viagem.
5. Nota geral:
Berlim é a capital de que mais gostei até agora. A carga histórica e emocional respira-se por todas as ruas e o contraste cultural "do antes e do depois da queda do muro" observa-se em todas as esquinas. É uma cidade multicultural e onde a liberdade ganhou outro significado e é gritada por todos os edifícios, atitudes e indivíduos. É claro que tudo isto tem muito a ver comigo, com o meu gosto pessoal e com a minha forma sentimental de estar na vida. Mas seja como for, acho impossível que alguém fique indiferente a esta cidade depois de a visitar, porque vale mesmo a pena.
Só para terminar, deixo algumas fotos da aventura dos pinóquios na Alemanha.
Beijinhos e abracinhos!
Tratamento VIP, não estivéssemos na Alemanha
Os pinóquios no bus turístico
Eu e os meus amigos Beatles, encontrei-os lá por acaso
The wall
Donuts! Tantos como nunca vi. Numa outra vida devo ter sido o Homer Simpson
domingo, 17 de abril de 2011
Holanda, Portugal e (talvez) mais qualquer coisa
No outro dia a minha grande amiga Sara disse (aqui) que quem é vivo sempre aparece.
Pois é... eu continuo viva e desaparecida (para quem não me viu no fim-de-semana passado), mas também as novidades não são assim tantas, e até tenho tido algum tempito, acontece que ando cada vez mais preguiçosa, pronto.
Mas comecemos pelo trabalho, um assunto de que tenho falado muito pouco por aqui. Bem, resumidamente posso dizer que vai de vento em popa. Na generalidade corre muito bem, tenho sempre muito que fazer e estou a adorar. Aprendo coisas novas todos os dias, falo com pessoas diferentes, em línguas diferentes e isso faz-me muito feliz. Pela primeira vez na vida, olho para estes quase quatro meses de trabalho e consigo ver a minha própria evolução - de dia para dia. É infinitamente gratificante sentir que realmente estamos a avançar, que somos melhores a cada etapa que passa, e que para além de nós, também os outros estão satisfeitos com o nosso trabalho. Sinto que encontrei o meu lugar, pelo menos por agora :)
Ainda dentro do mesmo tema, fui entretanto a Roterdão para mais um seminário da BV, e este sim, foi brutal em todos os aspectos. Saí de lá com tal lavagem cerebral que durante os dias que se seguiram senti-me quase como a pessoa mais sábia à face da terra, mas claro que este tipo de efeitos não dura para sempre... Quanto à Holanda, não posso alongar-me muito porque vi mesmo muito pouco. A vista sobre Amesterdão imediatamente antes do avião aterrar é fenomenal pela forma absolutamente geométrica como a cidade está disposta - desde a costa até às avenidas com os seus pequenos e inúmeros canais e edifícios igualmente dispostos. E de Amesterdão foi apenas isto que consegui ver. Quanto a Roterdão ainda tive tempo para alguns passeios pelo centro da cidade a pé ou de barco (cortesia da equipa local) e para uma festarola imagine-se lá, num Irish Pub (tudo a ver). Mas foi divertido e super interessante do ponto de vista cultural. A cidade é de facto lindíssima. Depois de ser completamente arrasa pelos bombardeamentos alemães na II Guerra Mundial, surgiu neste lugar uma harmoniosa mistura de edifícios antigos e modernos de uma forma que só se vê mesmo na Holanda. Gostei, e desejo infinitamente lá voltar.
Mas melhor do que isto tudo, foi mesmo ter ido a Portugal no fim-de-semana em que fiz 23 anos! A emoção de rever a família e os amigos (eu sei, eu sei que não passou ainda assim tanto tempo desde que vim para Zurique, mas sou uma lamechas, o que é que querem?) é indescritível. E para quem já me ouviu dizer que ainda não tinha começado a sentir as saudades a sério, bem... esse sentimento mudou desde que regressei. Um fim-de-semana foi curto e trouxe-me muita vontade de regressar ou então, de trazer toda a gente de volta comigo. Não poderia ter tido um aniversário mais feliz, junto de todos aqueles que continuam a fazer parte da minha vida, mesmo a quilómetros de distância. Senti a falta de algumas pessoas especiais que por motivos de trabalho ou motivos "da China" não puderam estar presentes. Mas o Verão está quase aí e já não falta tudo para vos abraçar outra vez!
Para a Páscoa não teremos folar, nem "pão podre", nem cabrito (graças a deus!), mas como aqui temos feriado na Sexta e na Segunda, talvez aproveitemos o fim-de-semana prolongado para viajar até algum sítio giro.
Um xi <3
Pois é... eu continuo viva e desaparecida (para quem não me viu no fim-de-semana passado), mas também as novidades não são assim tantas, e até tenho tido algum tempito, acontece que ando cada vez mais preguiçosa, pronto.
Mas comecemos pelo trabalho, um assunto de que tenho falado muito pouco por aqui. Bem, resumidamente posso dizer que vai de vento em popa. Na generalidade corre muito bem, tenho sempre muito que fazer e estou a adorar. Aprendo coisas novas todos os dias, falo com pessoas diferentes, em línguas diferentes e isso faz-me muito feliz. Pela primeira vez na vida, olho para estes quase quatro meses de trabalho e consigo ver a minha própria evolução - de dia para dia. É infinitamente gratificante sentir que realmente estamos a avançar, que somos melhores a cada etapa que passa, e que para além de nós, também os outros estão satisfeitos com o nosso trabalho. Sinto que encontrei o meu lugar, pelo menos por agora :)
Ainda dentro do mesmo tema, fui entretanto a Roterdão para mais um seminário da BV, e este sim, foi brutal em todos os aspectos. Saí de lá com tal lavagem cerebral que durante os dias que se seguiram senti-me quase como a pessoa mais sábia à face da terra, mas claro que este tipo de efeitos não dura para sempre... Quanto à Holanda, não posso alongar-me muito porque vi mesmo muito pouco. A vista sobre Amesterdão imediatamente antes do avião aterrar é fenomenal pela forma absolutamente geométrica como a cidade está disposta - desde a costa até às avenidas com os seus pequenos e inúmeros canais e edifícios igualmente dispostos. E de Amesterdão foi apenas isto que consegui ver. Quanto a Roterdão ainda tive tempo para alguns passeios pelo centro da cidade a pé ou de barco (cortesia da equipa local) e para uma festarola imagine-se lá, num Irish Pub (tudo a ver). Mas foi divertido e super interessante do ponto de vista cultural. A cidade é de facto lindíssima. Depois de ser completamente arrasa pelos bombardeamentos alemães na II Guerra Mundial, surgiu neste lugar uma harmoniosa mistura de edifícios antigos e modernos de uma forma que só se vê mesmo na Holanda. Gostei, e desejo infinitamente lá voltar.
Mas melhor do que isto tudo, foi mesmo ter ido a Portugal no fim-de-semana em que fiz 23 anos! A emoção de rever a família e os amigos (eu sei, eu sei que não passou ainda assim tanto tempo desde que vim para Zurique, mas sou uma lamechas, o que é que querem?) é indescritível. E para quem já me ouviu dizer que ainda não tinha começado a sentir as saudades a sério, bem... esse sentimento mudou desde que regressei. Um fim-de-semana foi curto e trouxe-me muita vontade de regressar ou então, de trazer toda a gente de volta comigo. Não poderia ter tido um aniversário mais feliz, junto de todos aqueles que continuam a fazer parte da minha vida, mesmo a quilómetros de distância. Senti a falta de algumas pessoas especiais que por motivos de trabalho ou motivos "da China" não puderam estar presentes. Mas o Verão está quase aí e já não falta tudo para vos abraçar outra vez!
Para a Páscoa não teremos folar, nem "pão podre", nem cabrito (graças a deus!), mas como aqui temos feriado na Sexta e na Segunda, talvez aproveitemos o fim-de-semana prolongado para viajar até algum sítio giro.
Um xi <3
domingo, 13 de março de 2011
Moscow 2011
Amiguinhos, a preguiça continua por cá, e tenho adiado as novidades todos os fins-de-semana.
No final de Fevereiro fui a Moscovo para um seminário da BV. Devo confessar que nunca tinha pesquisado muito sobre a cidade, por isso, à parte do frio extremo, tudo foi completamente inesperado.
À chegada, uns fantásticos -14º para as boas vindas.
Para ajudar à festa, o povo russo não é propriamente quente e acolhedor, pelo menos com os estrangeiros, e fiquei com a sensação de que não são muito felizes. E por incrível que vos possa parecer, na minha curta jornada, não encontrei um único russo que falasse inglês, é que nem a recepcionista do "suposto" hotel de 4 estrelas em que ficámos hospedados.
No final do primeiro dia de training, a equipa da casa organizou um abundante e típico jantar num centro de bowling, onde me sentei junto das senhoras de Itália e da Holanda. E o que veio a seguir não foi nada previsível. Eles chamaram-lhe team building. E como é já sabido, eu sou uma profissional recordista da coisa, o que só trouxe vantagem a esta genial equipa:
O segundo dia do seminário reflectia já as consequências da noite anterior. Mesmo assim, não terminou antes das seis da tarde, e por isso, na companhia de uns amistosos 19º negativos, só tivemos tempo para uma curta visita à Praça Vermelha que é absolutamente fenomenal e, como tudo o resto na Rússia, gigantesca. Seguiu-se mais um jantar impecável onde provei umas quantas especiarias russas, desta vez com companhias da Coreia do Sul, da Rússia e do Japão (um grande abraço de coragem para o meu caro Yasuo san e para todos os japoneses afectados pela catástrofe da última semana).
De resto, deixo algumas notas: o trânsito de Moscovo é absolutamente caótico e assustador. Há neve, muita neve e por todos os lados. O risco de ser assaltado no metro é elevadíssimo. Nunca peçam noodles com galinha – é sopa de água com ervas.
De regresso a Zurique, senti-me pela primeira vez “de volta a casa”. Fui recebida por um Sol magnífico e uma temperatura que cheirava a Verão.
No final de Fevereiro fui a Moscovo para um seminário da BV. Devo confessar que nunca tinha pesquisado muito sobre a cidade, por isso, à parte do frio extremo, tudo foi completamente inesperado.
À chegada, uns fantásticos -14º para as boas vindas.
Para ajudar à festa, o povo russo não é propriamente quente e acolhedor, pelo menos com os estrangeiros, e fiquei com a sensação de que não são muito felizes. E por incrível que vos possa parecer, na minha curta jornada, não encontrei um único russo que falasse inglês, é que nem a recepcionista do "suposto" hotel de 4 estrelas em que ficámos hospedados.
No final do primeiro dia de training, a equipa da casa organizou um abundante e típico jantar num centro de bowling, onde me sentei junto das senhoras de Itália e da Holanda. E o que veio a seguir não foi nada previsível. Eles chamaram-lhe team building. E como é já sabido, eu sou uma profissional recordista da coisa, o que só trouxe vantagem a esta genial equipa:
Equipa maravilha: Ingo (Alemanha), Emir (Turquia) Wofay (China) eu e a Nadja (Rússia)
O segundo dia do seminário reflectia já as consequências da noite anterior. Mesmo assim, não terminou antes das seis da tarde, e por isso, na companhia de uns amistosos 19º negativos, só tivemos tempo para uma curta visita à Praça Vermelha que é absolutamente fenomenal e, como tudo o resto na Rússia, gigantesca. Seguiu-se mais um jantar impecável onde provei umas quantas especiarias russas, desta vez com companhias da Coreia do Sul, da Rússia e do Japão (um grande abraço de coragem para o meu caro Yasuo san e para todos os japoneses afectados pela catástrofe da última semana).
Wofay (China), Nadja e Ekaterina (Russia) eu e o Yasuo (Japão).
Red Square
De regresso a Zurique, senti-me pela primeira vez “de volta a casa”. Fui recebida por um Sol magnífico e uma temperatura que cheirava a Verão.
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Novidades helvéticas
Caros amigos,
Confesso que tenho andado muito preguiçosa nestas coisas das actualizações e novidades, mas os últimos tempos têm sido um tanto agitados.
Os últimos dois fins-de-semana foram dedicados a palmilhar Zurique, coisa que surpreendentemente ainda não tínhamos feito desde que aqui chegámos. Como já é hábito, o nosso precioso e prestável vizinho fez as honras e guiou-nos por uma visita cliché pela “down-town” e beira-lago. E quanto a isto, só tenho a dizer que Zurique é uma cidade maravilhosamente limpa e organizada, onde os típicos arranha-céus a que as cidades famosas nos habituaram, perderam o lugar para formidáveis edifícios tradicionais, que tornam a cidade muito mais luminosa e arejada. O lago é majestosamente enorme, e tão limpo que no Verão as pessoas aproveitam a pausa do almoço para dar uns mergulhos, com os Alpes como pano de fundo. Antes de regressar a casa ainda tivemos tempo para um chá quentinho num simpático Irish Pub, que soube mesmo bem depois do frio que passámos.
No fim-de-semana seguinte decidimos explorar a cidade por nossa conta. Zurique é sem dúvida uma cidade a adicionar às vossas listas de lugares a visitar, no entanto, é bom que se preparem para gastar “algum” dinheiro. Para além do alojamento, alimentação e até do cafezinho, também (e principalmente) os transportes públicos são caríssimos. Por estas e por outras, decidimos levar o carro, já temendo a batelada que nos ia custar o parque de estacionamento. O timing não poderia ter sido melhor. À entrada encontrámos logo um estranho mas amistoso português que nos ofereceu o bilhete do parque que já não ia usar e que seria válido por 24h. Porreiro. Ganho o dia, lá fomos nós ao Zurich Wildnis Park visitar os nossos amigos ursos. Infelizmente, eles tinham partido de férias para um destino paradisíaco e muito mais quente, e por isso tivemos que nos contentar com os alces, as renas, os javalis e os lobos. Todos estes animais viviam de forma natural e não estavam presos dentro de jaulas. Apenas umas redes delimitavam o gigantesco perímetro que era o seu habitat. Pondo de parte a desilusão de não termos encontrado os ursos e os linces, adorámos esta pequena selva, há imensos percursos que permitem longas caminhadas para aqueles que apreciam o ar puro e a natureza. No Verão, para além de mais animais, este parque tem também um espaço muito agradável para um churrasco com os amigos, e a cereja no topo do bolo: A entrada é livre.
Daqui seguimos para o centro da cidade, queríamos conhecer a famosa Bahnhofstrasse. A rua mais comercial e distinta de Zurique, que à parte de imensas lojas de prestígio e muita “gente gira”, não tem nada de especial.
Para os corajosos que decidiram ler o meu relato até ao fim, um grande beijinho e umas fotografias:
Confesso que tenho andado muito preguiçosa nestas coisas das actualizações e novidades, mas os últimos tempos têm sido um tanto agitados.
Os últimos dois fins-de-semana foram dedicados a palmilhar Zurique, coisa que surpreendentemente ainda não tínhamos feito desde que aqui chegámos. Como já é hábito, o nosso precioso e prestável vizinho fez as honras e guiou-nos por uma visita cliché pela “down-town” e beira-lago. E quanto a isto, só tenho a dizer que Zurique é uma cidade maravilhosamente limpa e organizada, onde os típicos arranha-céus a que as cidades famosas nos habituaram, perderam o lugar para formidáveis edifícios tradicionais, que tornam a cidade muito mais luminosa e arejada. O lago é majestosamente enorme, e tão limpo que no Verão as pessoas aproveitam a pausa do almoço para dar uns mergulhos, com os Alpes como pano de fundo. Antes de regressar a casa ainda tivemos tempo para um chá quentinho num simpático Irish Pub, que soube mesmo bem depois do frio que passámos.
No fim-de-semana seguinte decidimos explorar a cidade por nossa conta. Zurique é sem dúvida uma cidade a adicionar às vossas listas de lugares a visitar, no entanto, é bom que se preparem para gastar “algum” dinheiro. Para além do alojamento, alimentação e até do cafezinho, também (e principalmente) os transportes públicos são caríssimos. Por estas e por outras, decidimos levar o carro, já temendo a batelada que nos ia custar o parque de estacionamento. O timing não poderia ter sido melhor. À entrada encontrámos logo um estranho mas amistoso português que nos ofereceu o bilhete do parque que já não ia usar e que seria válido por 24h. Porreiro. Ganho o dia, lá fomos nós ao Zurich Wildnis Park visitar os nossos amigos ursos. Infelizmente, eles tinham partido de férias para um destino paradisíaco e muito mais quente, e por isso tivemos que nos contentar com os alces, as renas, os javalis e os lobos. Todos estes animais viviam de forma natural e não estavam presos dentro de jaulas. Apenas umas redes delimitavam o gigantesco perímetro que era o seu habitat. Pondo de parte a desilusão de não termos encontrado os ursos e os linces, adorámos esta pequena selva, há imensos percursos que permitem longas caminhadas para aqueles que apreciam o ar puro e a natureza. No Verão, para além de mais animais, este parque tem também um espaço muito agradável para um churrasco com os amigos, e a cereja no topo do bolo: A entrada é livre.
Daqui seguimos para o centro da cidade, queríamos conhecer a famosa Bahnhofstrasse. A rua mais comercial e distinta de Zurique, que à parte de imensas lojas de prestígio e muita “gente gira”, não tem nada de especial.
Para os corajosos que decidiram ler o meu relato até ao fim, um grande beijinho e umas fotografias:
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